Radiojornalismo, Sustentabilidade e Produção de Conteúdo


Entrevista a vencedora do Prêmio Petrobras de Jornalismo. Fabiana Novello aborda temas como radiojornalismo, sustentabilidade e produção de conteúdo.

Radiojornalismo, Sustentabilidade e Produção de Conteúdo

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, e pós-graduada na PUC-SP em jornalismo político, ministério público e imprensa, Fabiana Novello construiu sua carreira em grandes emissoras de rádio como Bandeirantes, Eldorado e CBN. Como repórter, participou de muitas coberturas especiais, entre elas a visita do Papa Francisco ao Brasil. E seu brilhante trabalho garantiu Fabiana entre os finalistas do Prêmio Allianz Seguros de Jornalismo em 2009 e como vencedora do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2014.

Convidamos Fabiana Novello para participar de um bate papo onde ela diz como o rádio contribuiu para seu desenvolvimento profissional, as mudanças no radiojornalismo com o surgimento das novas mídias e a produção de conteúdo (fora das redações) como tendência entre os jornalistas.

Confira a entrevista completa com Fabiana Novello:

1) Por que escolheu o jornalismo como profissão? Quais dicas você daria para os estudantes que também querem ser jornalistas?

Fabiana Novello: “Eu sempre quis ser jornalista. Não vou dizer que desde criança (rs). Mas na minha adolescência, quando comecei a pensar sobre o curso que eu faria, o Jornalismo foi a minha primeira e única escolha. A vontade de conhecer pessoas e suas histórias me levou à profissão. O Jornalismo possibilita isso. Acho que contar histórias é o mais bacana da profissão. Além disso, eu tinha aquele desejo que muitos colegas tinham também: o de mudar o mundo…”

“Quando eu entrei na faculdade, nosso mercado estava muito ruim e havia muito pessimismo também em relação às oportunidades de trabalho na área. Mas eu não desisti. E foi a melhor coisa que fiz porque consegui construir uma carreira no Jornalismo, especialmente no rádio. Então, a primeira dica que eu dou para quem está na faculdade e realmente quer ser jornalista é: não desista e não se assuste com a crise. Busque informações sobre a profissão e sobre o mercado e escolha o caminho que quer seguir. E, claro, o jornalista precisa ser curioso, desconfiado, ético acima de tudo. Precisa estar disposto a alguns sacrifícios, trabalhar em feriado, fazer plantões. Precisa controlar a vaidade; tem muito jornalista que se acha mais importante que a notícia…aí não dá, né?”

2) Como o rádio contribuiu para seu desenvolvimento profissional? E o que mudou na criação e na transmissão do radiojornalismo com o surgimento das novas mídias?

Fabiana Novello: “O rádio dá uma agilidade ao jornalista que nenhum outro meio dá. No rádio, o repórter produz, escreve, grava e edita suas reportagens. E sobre os mais diversos assuntos. No rádio, a gente aprende a lidar com os imprevistos. Sem contar que é o meio mais imediato. Muitas reportagens que os jornais vão publicar amanhã, as rádios já deram hoje. E com muita qualidade também! Então, o repórter está ao vivo com a informação, na sequência o âncora pode já fazer uma entrevista sobre o mesmo assunto e o ouvinte pode participar na hora nos canais que cada emissora disponibiliza para isso. Aliás, essa comunicação com os ouvintes atualmente é feita principalmente pelas mídias sociais. E acho que as novas tecnologias ampliam o alcance do rádio. Hoje você pode ouvir rádio pela Internet, no site da emissora, ou por aplicativos.”

3) O radiojornalismo está sofrendo os impactos da crise que está afetando os veículos impressos?

Fabiana Novello: “Eu acredito que a crise está afetando o Jornalismo como um todo. As redações estão cada vez mais enxutas, os gastos cada vez mais controlados. Isso é ruim, claro. A qualidade cai, isso é inegável. Mas acho que a crise econômica não é o único problema atualmente. Nós temos hoje as mídias sociais que ajudam a levar o conteúdo para mais pessoas. Mas ao mesmo tempo, nós temos veículos que pensam em reportagens visando apenas os “cliques”, as “visualizações”. Isso é muito ruim. Um “clique” não pode ser mais importante que uma apuração completa dos fatos, entende? Por outro lado, felizmente, existem novas coisas surgindo no Jornalismo. Muitos colegas estão se movimentando, criando alternativas à tudo o que está aí.”

4) Segundo a pesquisa realizada pela PRN, 75% dos jornalistas de rádio utilizam o press release como pauta. Em sua opinião, qual a importância dos comunicados de imprensa e quais outras ferramentas utiliza como fonte?

Fabiana Novello: “Como repórter, eu digo pra você que o press release bom é aquele que tem uma informação que vai despertar meu interesse para elaborar uma determinada pauta. Insisto: despertar. A pauta vai muito além do press release, muito além. Tem também muita reportagem que surge a partir da observação do repórter. Às vezes, você está fazendo uma matéria e por causa dela descobre outros assuntos que podem render outras reportagens. Há, claro, denúncias que viram reportagens. E as próprias fontes que o profissional faz ao longo de sua carreira contribuem na elaboração de uma pauta.”

5) Finalista do Prêmio Allianz de Jornalismo e ganhadora do Prêmio Petrobras de Jornalismo (2014), o que você acha do tema Sustentabilidade no jornalismo?

Fabiana Novello: “Felizmente, eu acho que o tema Sustentabilidade vem ganhando cada vez mais espaço na mídia. Vejo jornais, TVs, rádios, sites fazendo cada vez mais reportagens sobre o tema. E isso é muito bom porque Sustentabilidade diz respeito a todos nós. Está ligada à água que a gente consome, à energia, à economia, ao lixo, a novas práticas e soluções, enfim, ao nosso dia a dia. Então, é preciso informar sobre o tema, despertar o interesse da população pra isso.

ganhadora do Prêmio Petrobras de Jornalismo

6) Quais são os jornalistas e profissionais de comunicação que te inspiram? Por que são sua inspiração?

Fabiana Novello: “Há vários profissionais que me inspiram e que eu admiro. Mas eu gostaria de destacar aqui alguém do rádio. O rádio geralmente fica esquecido pelos jornalistas de uma forma em geral. Mas tem grandes profissionais. Quando eu trabalhei na antiga rádio Eldorado AM, eu tive o privilégio de conviver com a Vera Lúcia Fiordoliva. A melhor repórter de rádio que eu conheço. Toda vez que a ouvia no ar era um grande aprendizado. A forma como tratava as fontes, o texto, a edição, seus personagens, tudo o que ela fazia era incrível. Ela sabia contar histórias. E principalmente: uma profissional supergenerosa.”

7) Como blogueira, qual o processo para escolha dos temas que irá publicar? Quem são os outros autores que contribuem em seu blog?

Fabiana Novello: “Eu criei meu blog “Lugares e histórias” (lugaresehistorias.com) em 2012. Vários amigos me falavam que eu devia ter algo mais autoral, que eu devia fazer um blog… e um dia resolvi fazer. O meu objetivo é compartilhar minhas impressões. Muita gente acha que é um blog de viagem. Não é. Até dou, às vezes, algumas dicas, mas esse não é o objetivo. Em meus textos, falo das minhas impressões sobre os lugares que já conheci, conto histórias minhas ou que presenciei. São lugares que conheci em viagens ou aqui de São Paulo mesmo. Afinal, eu adoro falar e escrever sobre a minha cidade. E como o objetivo do blog é compartilhar impressões, desde a criação dele quis ter colaboradores que compartilhasse suas opiniões também. Esses colaboradores são meus amigos. Às vezes, estou conversando com um amigo e ele me conta sobre um lugar que conheceu e eu acabo pedindo para escrever para o blog. Outros me procuram já dizendo: “tenho um texto para o seu blog”. Alguns já escreveram vários textos. E aí vou mesclando. E o legal é que não tem o menor problema em repetir lugares porque cada autor tem sua história pra contar, tem suas impressões para compartilhar.”

8) Quais são seus projetos para o futuro? Você acredita que a produção de conteúdo é uma tendência entre os jornalistas fora da redação?

Fabiana Novello: “Eu acho que nós, jornalistas, temos que aproveitar esse momento de crise para experimentarmos, para criarmos. O Jornalismo precisa de coisas novas. Eu pretendo trabalhar com produção de conteúdo e acho sim que é uma tendência. Seja para os veículos de comunicação que já existem e estão cada vez com menos profissionais, seja criando um site, seja para empresas. Aliás, acredito que as empresas já perceberam a importância de ter profissionais que façam vídeos, blogs, podcast, ou mesmo que gerenciem suas redes sociais. Acho que é um caminho hoje que pode abrir uma série de possibilidades.”

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Por Bruno Sutero, Coordenador de Relacionamento com a Mídia
Victor Melo, Analista de Comunicação Corporativa LatAm
PR Newswire

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