Redatora do NYT dá 13 Dicas para Escrever Artigos Opinativos


Os artigos opinativos são únicos em estrutura, comprimento e estilo em comparação com outros escritos não ficcionais. Saber como combinar sua opinião com informações factuais constitui parte importante da redação de artigos opinativos e atrair leitores para a sua história é uma habilidade que leva tempo e prática para ser refinada. Jennifer Finney Boylan, autora, porta-voz e redatora do New York Times Opinion participou da discussão mais recente no #ConnectChat, onde não só compartilhou como escreve artigos opinativos e os transforma em histórias convincentes, mas também sobre como fazer a apresentação para publicações importantes.

13 Dicas para Escrever Artigos

Aqui estão 13 dicas da Boylan que todos os redatores de artigos opinativos devem lembrar:

#1. Redija um título claro, mas não espere que ele seja a versão final
Os redatores quase nunca escolhem os próprios títulos. De fato, o editor nem vai consultá-lo sobre o título na maior parte do tempo. Essa é uma prática antiga de redator/editor. Os títulos são escolhidos com base em espaço do mesmo modo que os outros artigos e posicionamento. Meu artigo mais recente no NYT “Home is Where the Horses Are” (Casa é onde os cavalos estão), originalmente levava o título “Why the Long Face” (Por que essa cara triste). Mesmo assim, é preciso que o artigo tenha um título para ser apresentado. Isso ajuda o editor a saber o que você planeja, especialmente se for um artigo de “truques”.

#2. Capture o leitor com uma piada logo de cara, o humor é o que funciona melhor. Tente, em seguida, “mostrar” como a história se conecta a uma questão do noticiário ou de importância. Encerre-o voltando à piada de uma nova forma.

#3. O tamanho ideal de artigo opinativo é 800 palavras; artigos originais 1.200 palavras. O NYT prefere 800 palavras para uma coluna opinativa padrão, como os regulares: Brooks, Collins, Bruni, etc. Se for apresentar um artigo original, chego até as 1.200 palavras, com uma nota para o editor dizendo: “Está longo, posso cortar”. Ter relacionamento com o editor é uma vantagem porque sei que ele lerá meu trabalho. As colunas de domingo são um pouco mais longas porque há mais espaço no Sunday Review.

#4. Conte uma história que também defenda uma posição alicerçada por fatos e pesquisas. Os artigos opinativos diferem de outros não ficção, realmente baseiam-se em opinião, você não pode simplesmente contar uma história e deixar por isso mesmo. Por exemplo, o aclamado economista do New York Times, Paul Krugman, discute fatos econômicos, mas ele transforma essas estatísticas numa história convincente e movimentada. A história vem, em geral, antes, juntamente com seu estilo próprio e encantador, seguida pela pesquisa.

#5. Tenha consciência de que suas opiniões se tornarão públicas e ficarão associadas a você. Por exemplo, sou a copresidente nacional do conselho de diretoria da GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation) e preciso tomar cuidado. As pessoas pensarão que as minhas opiniões são da GLAAD se escrevo sobre questões LGBT. Como redatora, não me imponho limites, quero escrever sobre tudo! Como figura pública, preciso ser cuidadosa para não prejudicar a marca da organização. O ponto principal é que tento ser muito cuidadosa e não escrevo se for prejudicar a organização.

#6. Seja fiel ao estilo de escrita pessoal. Cada redator tem o próprio estilo, com certeza. Pode ser um clichê, mas a melhor aposta é ser você mesmo. As pessoas percebem quando você está fingindo. Posso apostar que vocês poderiam ler uma coluna “comum” de um, dos cerca de uma dezena, dos colunistas do Times e saber depois do primeiro parágrafo quem a escreveu.

#7. Direcione a apresentação para as publicações mais relevantes que se conectarão com aquela história. Se a história tiver uma ligação forte com um lugar, direcione para o jornal daquela cidade. Você pode também construir um portfólio de clipes que comecem em âmbito pequeno e vão se tornando mais nacionais. Minha primeira coluna publicada foi para o Middletown Press, em Connecticut, sobre a graduação da Wesleyan University daquela cidade. Se for sua primeira história, é um bom método para demonstrar as suas credenciais.

#8. Faça a apresentação de histórias ligadas a eventos sazonais com antecipação de um mês. Senso de oportunidade é tudo em apresentação, pois é um gancho. Os editores não estão interessados no seu gênio aleatório. Fique sabendo que, na segunda-feira antes do Dia dos Pais, os editores serão inundados com artigos sobre papais. Assim, se pretender escrever um artigo sobre o Dia dos Pais, escreva-o em maio e mande com bastante antecedência.

#9. Priorize artigos com notícias de última hora. Encontrar um bom gancho é uma arte, mas algumas vezes é preciso esperar que o ciclo de notícias lhe dê também oportunidades. Por exemplo, eu tinha pronto um artigo para ser encaminhado para o Times nesta primavera quando ouvi no rádio as notícias sobre o novo SAT. Enviei uma nota para meu editor dizendo: “Segura o outro artigo, estou escrevendo algo sobre o SAT” e o mandei na manhã seguinte e foi publicado no dia seguinte. Se tivesse esperado dois dias, o editor estaria afogado em artigos sobre SAT.

#10. Beneficie-se das oportunidades para escrever no verão. Os colunistas regulares do NYT tiram férias no verão, assim eles estão sempre procurando pessoas para substituição. Foi assim que me tornei uma regular depois de ser colunista “professora substituta” da série de cartões postais — tornei-me uma tapa buraco designada de verão. Para estrelas em ascensão e freelancers, essa é uma oportunidade ideal.

#11. Formate a apresentação por e-mail adequadamente. Além de anexar o artigo como um e-mail ao editor, cole-o também no interior como texto. Dessa forma o editor não precisa abrir o documento em word para ler o artigo; está ali e sua lide já está chamando a atenção dele. Também, a sério: use tipo de 18 pontos na colagem no e-mail. Faça-o grande. Os editores não têm mais 20 anos. Tenha dó. Também, embora isso seja muito detalhe, use fonte serif, palatino ou, digamos, times. Nunca use fonte sans-serif.

#12. Seja atencioso com o editor e continue a contribuir para o relacionamento. Seja respeitoso. Não seja muito irritante. Se for estimulado, continue conversando. Seja agradável por e-mail, mas breve; tenha em mente que os editores sempre estão sobrecarregados. Se disser não, aceite que não significa não. Mas se eles rejeitarem sua história de forma simpática, envie a eles alguma outra coisa, se bem que não imediatamente.

#13. Não perca a esperança, as oportunidades surgem quando menos se espera. Como passei de uma coluna única para a série de política regular de “cartões postais” no New York Times é uma boa história. Tinha tido um almoço verdadeiramente ótimo com o editor em Nova York. Mais tarde, vi o edifício do Times e pensei que seria uma boa ideia dar uma passada e dizer alô. Logo em seguida e sem me dar conta, ele e outros estavam em torno de uma mesa me perguntando: “O que você tem?” Subitamente, percebi que eles pensavam que eu estava lá para fazer uma apresentação.

Pensando rapidamente, apresentei uma ideia mal concebida sobre dois empórios em minha cidade natal, um republicano e outro democrata. Eles me dispensaram e não tive nenhum retorno. Três meses mais tarde, recebi um telefonema do editor dizendo: “Aquele artigo sobre os empórios?” Escreva-o. Preciso dele para amanhã”. No meu caso, o trabalho de outro colunista estava muito ruim, assim eles precisavam de um tapa buraco e lembraram da minha história. Eu me virei, escrevi em um dia e foi assim que conquistei o posto. A moral da história é: você nunca sabe quando a publicação de seus sonhos vai precisar de você, assim não desista.

Este texto foi traduzido do post escrito por  Polina Opelbaum no Blog Beyond PR, no dia 17 de julho de 2014.

Polina Opelbaum é a editora de ProfNet, um serviço que ajuda jornalistas a se conectarem com fontes especializadas. Para ler mais escritos de Polina, verifique seu blog no ProfNet Connect.

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